A Liga Portuguesa de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida espera que comecem a ser exploradas as apostas hípicas mútuas de base territorial

 

 

Ricardo Carvalho, presidente da Liga Portuguesa de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida acedeu a uma entrevista do sítio ojogoemportugal.pt

 

Os anseios e objetivos, a lei e a ambição de crescer, estão aqui todos na entrevista, conduzida por António Jorge Lé, que se lê a seguir para melhor se conhecer este novo mundo da competição em Portugal.

 

Por que ainda não há hipódromos após os diplomas de 2015?

Em abril de 2015 foi publicado o Regime Jurídico das Apostas Hípicas. Neste diploma ficou definido que se iria lançar um concurso público para a concessão dos hipódromos. Ainda em 2015 foi publicada uma Portaria com as condições específicas dos hipódromos, conforme os requisitos mínimos recomendados pela Liga ao Governo.

Em setembro do corrente ano foi exarado um despacho pelo Secretário de Estado da Agricultura e da Alimentação que cria o Conselho Consultivo para apoio na definição das linhas gerais para atribuição e exploração de hipódromos.

Este é um processo moroso, e não era esperado que em 2017 já existissem hipódromos em funcionamento.

Pensamos que durante o próximo ano de 2018 possa ser lançado este concurso público, e esperamos que até 2020 possamos ter um hipódromo de nível internacional a funcionar em Portugal.

Que tipo de apoios tem a Liga recebido?

A Liga não tem recebido apoio financeiro nenhum do Estado Português e conta apenas com as quotas dos seus associados e as inscrições dos proprietários nas corridas para fazer face às despesas inerentes à realização das corridas.

Qual o valor económico da atividade para Portugal ?

 A Liga, partindo do exemplo francês, estima que o potencial económico das apostas hípicas em Portugal possa chegar aos 800 milhões de euros/ano. De acordo com as melhores práticas desta indústria a nível global, cerca de 8 por cento deste valor deverá retornar às corridas para ser multiplicado e fomentar o investimento dos criadores e proprietários em animais, quadras, equipamento, alimentação e saúde animal. Esta repartição das receitas das apostas hípicas foi defendida ativamente pela Liga e a lei criada em 2015 permite esta distribuição.

Respeitando as melhores práticas internacionais e conseguindo realizar todo o potencial de Portugal nesta indústria, estaremos a falar de um valor económico para o país acima de mil milhões de euros por ano.

O que falta fazer para o setor crescer num país com a tradição “equidia” e qualidade ímpar dos seus cavalos?

Falta profissionalizar a atividade, formar e qualificar as pessoas, aumentar significativamente o número de proprietários e de criadores, aumentar significativamente o número e a qualidade dos cavalos em competição, atrair mais público. Isto faz-se com o aumento sistemático e gradual dos prémios aos participantes, e para obter esses fundos é necessário iniciar a exploração das apostas mútuas hípicas de base territorial, numa primeira fase com base em corridas realizadas no estrangeiro, pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, para obter os necessários fundos para pagar os desejados prémios aos proprietários e assim aumentar a competitividade, o que atrairá mais público e mais apostadores, o que gerará mais receita.

Há cavalos preparados para correr?

Existem cavalos a correr, mas é preciso aumentar o seu número e a sua qualidade, e fomentar o interesse de proprietários e criadores para investir em mais e melhores cavalos, através do valor dos prémios em disputa.

Que futuro vai ter esta atividade?

Esta atividade poderá ter um grande futuro se se derem os passos necessários para apoiar e lançar de uma vez por todas a atividade de corridas de cavalos em Portugal. As receitas oriundas das apostas hípicas deverão ser as suficientes para fomentar um círculo virtuoso de crescimento que permita aproveitar o potencial existente em Portugal, de gosto popular por este espetáculo desportivo e de tradição de criação cavalar.

Quais são os projetos e expetativas da Liga em todo este processo?

A Liga foi criada em 1997 e desde então reuniu as forças vivas ligadas às de corridas de cavalos em Portugal com o objetivo de desenvolver, entre nós esta atividade, ao nível dos países mais avançados.

A Liga foi reconhecida pela tutela em 1998 como a única entidade organizadora de corridas de cavalos em Portugal, e desde então realiza anualmente o Campeonato Nacional de Corridas de Cavalos nas modalidades de Trote e Galope.

Paralelamente à sua afirmação nacional, a Liga internacionalizou-se e tornou-se membro de pleno direito das organizações internacionais que regulam a atividade de corridas de cavalos a nível mundial, nomeadamente a Union Hippique Mediterranée, da qual é membro fundador; a European Mediterranean Horseracing Federation e, por inerência, a International Federation Horseracing Authorities e a International Federation Arabian Horse Racing tendo os seus regulamentos em linha com os acordos internacionais destas organizações.

Uma das principais missões da Liga era a criação de um quadro jurídico favorável à existência das apostas hípicas e a adequada distribuição das receitas oriundas das apostas para o desenvolvimento de uma verdadeira indústria nacional de corridas de cavalos.

A nova lei das apostas foi conseguida em abril de 2015, e na sequência dessa lei a Liga foi reconhecida como a única entidade organizadora de corridas de cavalos, objeto de aposta em Portugal.

O regime jurídico das apostas hípicas em vigor plasmou as propostas que a Liga apresentou, ano após ano, governo após governo, e estas estão em linha com as melhores práticas a nível internacional.

A Liga espera que comecem a ser exploradas as apostas hípicas mútuas de base territorial pela SCML, e desta receita seja canalizada para as corridas nacionais, através da Liga, uma percentagem adequada, em linha com as melhores práticas internacionais, e com isto consiga criar a massa critica necessária à realização de corridas de cavalos, objeto de aposta em Portugal, realizadas em hipódromos de nível internacional, com a frequência e nível competitivo suficientes para atrair apostadores e novos proprietários.

Por outras palavras, permitir que Portugal tenha uma indústria de corridas de cavalos, criadora de riqueza e emprego, e seja fator de desenvolvimento interno e de afirmação de Portugal no mundo.

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