Partiu a Voz do Fado!

Partiu a Voz do Fado!

A voz das palavras, das canções, da liberdade e de causas humanas deixou-nos. Carlos do Carmo partiu da vida e dos palcos, mas não conseguiu levar consigo a obra extensa e rica que Portugal guarda.

Actuou em todos os casinos, “sempre muito atento em servir bem o público que o ia ver, disse a “O Jogo em Portugal”, Jorge Lé, director artístico do Casino Figueira e amigo do cantor.

Amanhã, segunda-feira, dia de luto nacional, Carlos do Carmo terá as exéquias fúnebres na Basílica da Estrela, na terra que sempre cantou, Lisboa.

A cantora Simone de Oliveira realçou a carreira internacional do fadista Carlos do Carmo, e a dimensão que atingiu, da qual “os portugueses não têm noção”.

Simone recorda que “era locutora de continuidade no Casino da Figueira e apresentava os meus colegas e amigos, e um dia apresentei o Carlos [do Carmo], e fui lá para trás sossegada, até que de repente ele chamou-me: ‘Ó Simone, chega aqui’. Pensei que me tinha esquecido de algo, mas não. Ele deu-me o braço e pediu à orquestra para tocar dois tons abaixo a canção ‘The Shadow of your Smile’, que cantámos juntos e foi assim. Aprendi a cantar com outra voz”, contou Simone de Oliveira que tem o seu nome a titular o camarim número 1 do casino figueirense.

Simone disse que “Carlos do Carmo era absolutamente um homem do espectáculo, do ‘showbiz’”.

“Do Carlos fica a sua maneira de interpretar, a voz única, os poetas que trouxe, e era um homem um bocado libertário”, afirmou Simone de Oliveira, que se referiu ainda ao fadista e amigo, como “um homem interessante e inteligente”.

O fadista, admirador confesso de Frank Sinatra, o qual procurava seguir na articulação das palavras cantadas, iniciou a sua carreira de artista pela mão do pianista Mário Simões.

Nascido em Lisboa em Dezembro de 1939, era filho da fadista Lucília do Carmo (1919-1998) e do livreiro Alfredo Almeida, proprietários da casa de fados “O Faia”, onde começou a cantar, até iniciar a carreira artística, em 1964.

Distinguido com o Grammy Latino de Carreira, em 2014, entre outros galardões, o seu percurso passou pelos principais palcos mundiais, do Olympia, em Paris, à Ópera de Frankfurt, na Alemanha, do ‘Canecão’, no Rio de Janeiro, ao Royal Albert Hall, em Londres.

O cantor despediu-se dos palcos em 9 de Novembro de 2019, com um concerto no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

A publicação do seu derradeiro álbum, “E Ainda?”, prevista para o passado mês de Novembro, foi anunciada para este ano, pela editora Universal Music.

Carlos do Carmo teve noites de glória em todos os casinos, no Estoril, por exemplo, actuou vezes sem fim… e o fado subiu aos grandes palcos do mundo com Amália e com a voz que agora nos deixa: Carlos do Carmo.

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